Informação sobre doenças da tireoide, causas, sintomas e tratamento das doenças da tireoide, incluindo os nódulos da tireoide.


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Tireoidite

Tireoidite engloba um grupo variado de doenças caracterizadas por algum tipo de inflamação da tireoide.
Tireoidite é um termo  genérico que comporta uma série de entidades clínicas que têm em comum o acometimento inflamatório da tireoide. O mecanismo etiopatogênico pode ser infeccioso, auto-imune ou outro (trauma, radiação, drogas, desconhecido). Baseado na etiopatogenia e no quadro clínico, destacamos 8 entidades patológicas que têm em comum apenas o fato de serem tireoidites:
  1. Tireoidite de Hashimoto
  2. Tireoidite Subaguda Linfocítica
  3. Tireoidite Subaguda Granulomatosa
  4. Tireoidite Pós-Parto
  5. Tireoidite Infecciosa
  6. Tireoidite Medicamentosa
  7. Tireoidite Actínica
  8. Tireoidite Fibrosante de Riedel
As tireoidites subagudas e crônicas levam à lesão inflamatória do parênquima tireoideano, de forma que o conteúdo colóide dos foliculos é extravasado, liberando tireoglobulina T3 e T4 para a circulação. Por esta razão, a fase inicial costuma cursar com tireotoxicose manifesta ou subclínica. Após as primeiras semanas, o hormônio previamente estocado já foi liberado, enquanto que a lesão das células foliculares reduz a síntese de hormônios tireoideanos.
Neste momento, instala-se o hipotireoidismo, na maioria das vezes subclínico. No caso das tireoidites subagudas, esta fase é auto-limitada, já que o tecido tireóideo regenera-se mais tarde.
Na tireoidite crônica auto-imune (Hashimoto), esta fase progride insidiosamente para o hipotireoidismo clinicamente manifesto.
Os níveis séricos de tireoglobulina, a proteína do colóide folicular, estão caracteristicamente elevados em todos os casos de tireoidite, porém, é apenas um dado inespecífico para auxiliar no diagnóstico.


Tireoidite é um termo geral que se refere a "inflamação da glândula tireoide". Tireoidite inclui um grupo de desordens individuais que causam inflamação da tireoide, mas que se apresentam de maneiras diferentes. Por exemplo, tireoidite de Hashimoto, é a causa mais comum de hipotireoidismo nos Estados Unidos. Tireoidite pós-parto, que motiva a tireotoxicose temporária (níveis de hormónio da tireoide elevaso no sangue), seguido por hipotireoidismo temporário, são causas comuns de problemas de tireoide após o nascimento de um bebé. Tireoidite subaguda é a principal causa de dor na tireoide. Tireoidite também pode ser visualizada em doentes que tomam drogas como interferon e amiodarona.

O que são Nódulos da tireoide

Nódulos da tireoide são "caroços" que aparecem frequentemente no interior da glândula. Pelo menos uma em cada 15 mulheres e um em cada 60 homens em Portugal, tem um nódulo da tireoide que pode ser sentido ou como o seu médico diz pode ser palpado.
Os nódulos da tireoide são grupos de células que crescem anormalmente no interior da tireoide.
Eles podem também ser quistos que são cavidades cheias de líquido ou então inchaços provocados por inflamação da tireoide.
A maior parte dos nódulos da tireoide não são cancro e muito poucos interferem com a saúde de quem os tem.
No entanto, há três pontos que devem ser esclarecidos sempre que uma pessoa tem nódulos na tireoide.
  • Será que o meu nódulo é cancro?
  • Será que o nódulo é tão grande que está a empurrar outro órgão do pescoço?
  • Será que a minha tireoide está a fabricar hormonas a mais ou a menos?
Assim, importa consultar o médico de modo a que este possa promover as diligências necessárias a um diagnóstico definitivo.


Tireoidite de Reidel

A Tireoidite de Reidel geralmente se apresenta na meia-idade, mulheres com um nódulo indolor, firme e função tireoidiana normal. A doença é caracterizada por fibrose extensa e fixação da tireóide a estruturas adjacentes que podem causar compressão da traqueia/esôfago ou ambos. A fibrose pode até mesmo estar presente em outras áreas do corpo, tais como: retroperitoneal e colangite esclerosante. Como se trata de um nódulo, a primeira recomendação seria realizar um PAAF, no entanto, a fibrose extensa, muitas vezes impede uma leitura apropriada do exame. Portanto, a recomendação é em um paciente com sintomas de compressão, realizar a tireoidectomia ou pelo menos retirada do istmo para separar os lóbulos e libertar a pressão.

Tireoidite aguda infecciosa

A infecção da tireoide é rara. Diversos factores poderão contribuir para a protecção da glândula tireoideia contra a infecção; destaca-se a rica vascularização e a boa drenagem linfática, o conteúdo elevado de iodo (com possível efeito bactericida) e a separação física clara das outras estruturas adjacentes. A infecção é facilitada quando há uma doença subjacente da glândula ou quando há uma intervenção cirúrgica da tireoide ou dos órgãos vizinhos. A infecção das diversas estruturas cervicais pode atingir por continuidade a glândula tireoideia. De referir ainda a possibilidade de a infecção da tireoide ser provocada por via sanguínea e a partir de focos de infecção localizados em locais distantes, tais como a pele, as vias respiratórias, o aparelho génito-urinário ou o tubo digestivo. As tireoidites infecciosas podem ser provocadas por diversos tipos de agentes: bactérias, fungos, parasitas ou vírus. As tireoidites bacterianas são as mais frequentes. Na tireoidite bacteriana aguda supurativa os sinais e sintomas mais frequentes são para além da dor, rubor, calor e inchaço locais, a febre, a dor ao engolir e a rouquidão. Em geral não existe mau funcionamento da tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo) neste tipo de tireoidites. A distinção entre a tireoidite infecciosa (nomeadamente a forma bacteriana aguda) e outras formas de tireoidite e com processos inflamatórios de estruturas adjacentes pode ser difícil. O tratamento da tireoidite bacteriana, uma doença potencialmente grave, deverá ser o mais precoce possível e inclui a utilização de antibióticos cuja escolha deve ser guiada pelos resultados do exame bacteriológico do material das lesões. Nos casos em que há formação de um abcesso, poderá ser necessária uma drenagem cirúrgica.

Tireoidite Autoimune Crônica

A tireoidite autoimune crônica é a tireoidite mais frequente e constitui a causa mais comum de bócio e hipotireoidismo nos países em que a alimentação fornece um aporte suficiente de iodo. É considerada um exemplo clássico de doença autoimune específica de órgão. Também é designada por tireoidite linfocítica crónica ou tiroidite de Hashimoto, embora classicamente a última designação implique a presença de bócio, o que nem sempre acontece nesta patologia.
As principais manifestações clínicas são os sinais e sintomas de hipotireoidismo. Muito raramente pode haver alternância de hiper e hipotireoidismo. Na maioria dos doentes está presente um bócio firme, simétrico e indolor; cerca de 10% têm glândulas atróficas.
Analiticamente, destaca-se a presença de anticorpos anti-TPO, fortemente positivos em cerca de 90% dos casos; estes são o grande marcador da doença e actualmente são usados para definir a existência de uma tireoidite autoimune. Os anticorpos anti-Tg estão presentes em 20 a 50% dos doentes. A TSH está dentro dos valores de normalidade ou aumentada; muito raramente pode encontrar-se diminuída.
Sob o ponto de vista ecográfico, a tireoide apresenta um padrão heterogéneo de predomínio hipoecogénico, com istmo espessado. Por vezes estão presentes «pseudo-nódulos», imagens ecograficamente semelhantes a nódulos mas que se devem a alterações inflamatórias locais.
Estas imagens podem ser difíceis de distinguir dos verdadeiros nódulos da tireoide. Um aspecto importante é o carácter temporário destas imagens, dependentes da evolução do processo inflamatório, o que permite fazer a distinção dos nódulos através da repetição do exame com alguns meses de intervalo: se houver alterações importantes das características da imagem é porque estamos na presença de um «pseudo-nódulo» inofensivo. Na fase inicial do processo existem muitas vezes adenopatias cervicais de características inflamatórias.

Tireoidite Pós-Parto

É uma tireoidite auto-imune indolor subaguda que manifesta-se dentro do primeiro ano após o parto. O quadro clínico é semelhante ao da tireoidite subaguda linfocítica, ou seja, geralmente cursando com hipertireoidismo seguido de hipotireoidismo e eutireoidismo, em um período de 1-4 meses. Contando com os casos de curso subclínico, a incidência é alta: 3-16% das gestações. A época de aparecimento mais comum é no 2° ao 4° mês pós-parto. A doença, tal como a tireoidite subaguda linfocítica, é considerada uma variante da tireoidite de Hashimoto, estando relacionada a anticorpos Anti-Peroxidase Microssomal positivos em 65-85% dos casos e a hipotireoidismo ou bócio persistente em 20-50% dos pacientes. A chance de recidiva no próximo puerpério é alta. O tratamento deve ser feito com betabloqueadores no caso dos sintomas de tireotoxicose e com reposição horrnonal, no caso dos sintomas de hipotireoidismo. O mais importante é o acompanhamento a posteriori.

Tireoidite De Quervain

A tireoidite subaguda de De Quervain é uma forma rara de tireoidite com um início mais arrastado que a forma bacteriana.
Esta tireoidite também é denominada tireoidite granulomatosa ou tireoidite de células gigantes.
Nesta doença uma infecção virusal poderá ser o factor precipitante ou mesmo causal.
Ocorre preferencialmente entre os 20 e os 60 anos e é 3 a 6 vezes mais frequente na mulher.
É mais habitual o seu diagnóstico nos meses de verão. A tireoidite é muitas vezes precedida por uma infecção respiratória.
Esta entidade caracteriza-se pela dor e inchaço da tireoide (em geral assimétrica), por vezes com febre e outros sintomas gerais tais como falta de forças, dores musculares, anorexia e emagrecimento.
O mau funcionamento da tireoide faz parte do quadro clínico, com uma fase inicial de tireotoxicose, seguida da normalização da função tiroeideia a que se pode seguir em cerca de 20-30% dos casos, uma fase em geral transitória de hipotireoidismo.
O tratamento é dirigido ao alívio dos sintomas e pode incluir a toma de anti-inflamatórios não esteróides (aspirina,…) e/ou corticosteróides.
Importa realçar a natureza benigna desta doença que é autolimitada, com resolução espontânea e sem sequelas ao fim de algumas semanas ou meses, mesmo sem qualquer tratamento.

Tireoidite Subaguda Linfocítica

A Tireoidite Subaguda Linfocítica caracteriza-se pela instalação de uma tireoidite indolor, manifestando-se apenas com um período transitório de tireotoxicose seguido de hipotireoidismo auto-limitado. Pode ser considerada uma variante mais branda da tireoidite crônica autoimune, devido à semelhança quanto ao histopatológico e ao fato de cerca de 50% dos casos evoluírem mais tarde para a própria tireoidite de Hashimoto.
Assemelha-se bastante à tireoidite pós-parto.
Nãohá tratamento específico. A conduta é tratar os sintomas cardiovasculares e neuro-musculares de tireotoxicose.
O uso das tiouréias (inibidores da peroxidase) não está indicado, pois o problema não é de síntese, mas de liberação do hormônio estocado. Nos casos de hipotireoidismo manifesto na segunda fase, deve ser feita a reposição hormonal. O paciente deve ser acompanhado após a recuperação, devido ao risco de evoluir para tireoidite crônica e hipotireoidismo permanente.

Tireoidite de Hashimoto

Também chamada de Tireoidite Crônica Autoimune, é a causa mais comum de hipotireoidismo pennanente em regiões sem deficiência da ingestão de iodo, correspondendo a mais de 90% dos casos. É uma doença característica de mulheres mais velhas, com uma prevalência em torno de 15% neste grupo (incluindo as formas subclínicas), porém, pode ocorrer em qualquer idade e em ambos os sexos. É cerca de 5-8 vezes mais comum no sexo feminino.

Etiopatogenia
A etiologia é desconhecida, no entanto, existem fatores genéticos e fatores adquiridos associados. O resultado final é uma reação imunológica voltada para uma série de antígenos tireoideanos, utilizando tanto a via celular (citotoxidade pelos linfócitos CD8) quanto a via humoral - os auto-anticorpos. Um ou mais auto-anticorpos tireoideanos são encontrados em virtualmente todos os pacientes.