Informação sobre doenças da tireoide, causas, sintomas e tratamento das doenças da tireoide, incluindo os nódulos da tireoide.


Tireoidite

Tireoidite engloba um grupo variado de doenças caracterizadas por algum tipo de inflamação da tireoide.
Tireoidite é um termo  genérico que comporta uma série de entidades clínicas que têm em comum o acometimento inflamatório da tireoide. O mecanismo etiopatogênico pode ser infeccioso, auto-imune ou outro (trauma, radiação, drogas, desconhecido). Baseado na etiopatogenia e no quadro clínico, destacamos 8 entidades patológicas que têm em comum apenas o fato de serem tireoidites:
  1. Tireoidite de Hashimoto
  2. Tireoidite Subaguda Linfocítica
  3. Tireoidite Subaguda Granulomatosa
  4. Tireoidite Pós-Parto
  5. Tireoidite Infecciosa
  6. Tireoidite Medicamentosa
  7. Tireoidite Actínica
  8. Tireoidite Fibrosante de Riedel
As tireoidites subagudas e crônicas levam à lesão inflamatória do parênquima tireoideano, de forma que o conteúdo colóide dos foliculos é extravasado, liberando tireoglobulina T3 e T4 para a circulação. Por esta razão, a fase inicial costuma cursar com tireotoxicose manifesta ou subclínica. Após as primeiras semanas, o hormônio previamente estocado já foi liberado, enquanto que a lesão das células foliculares reduz a síntese de hormônios tireoideanos.
Neste momento, instala-se o hipotireoidismo, na maioria das vezes subclínico. No caso das tireoidites subagudas, esta fase é auto-limitada, já que o tecido tireóideo regenera-se mais tarde.
Na tireoidite crônica auto-imune (Hashimoto), esta fase progride insidiosamente para o hipotireoidismo clinicamente manifesto.
Os níveis séricos de tireoglobulina, a proteína do colóide folicular, estão caracteristicamente elevados em todos os casos de tireoidite, porém, é apenas um dado inespecífico para auxiliar no diagnóstico.


Tireoidite é um termo geral que se refere a "inflamação da glândula tireoide". Tireoidite inclui um grupo de desordens individuais que causam inflamação da tireoide, mas que se apresentam de maneiras diferentes. Por exemplo, tireoidite de Hashimoto, é a causa mais comum de hipotireoidismo nos Estados Unidos. Tireoidite pós-parto, que motiva a tireotoxicose temporária (níveis de hormónio da tireoide elevaso no sangue), seguido por hipotireoidismo temporário, são causas comuns de problemas de tireoide após o nascimento de um bebé. Tireoidite subaguda é a principal causa de dor na tireoide. Tireoidite também pode ser visualizada em doentes que tomam drogas como interferon e amiodarona.

Sintomas do Nódulo da tireoide

A maioria dos nódulos da tireoide não provocam quaisquer queixas. São habitualmente detectados por acaso pelos doentes, pelo médico ou durante uma ecografia feita por outras razões.
Em casos raros, os nódulos podem provocar dor na parte da frente do pescoço que parece vir da mandíbula ou da orelha. Se se trata de um nódulo grande pode provocar alguma impressão com o engolir de comida sólida ou líquida. Mais raramente ainda os nódulos podem provocar tosse ou mesmo falta de ar se apertam a traqueia. Estas queixas podem ser provocadas por nódulos malignos ou benignos.
Quando um nódulo da tireoide é detectado, deve ser estudado por um médico que saiba os problemas que podem provocar. Os endocrinologistas são médicos especializados no tratamento de doentes com alterações das glândulas endócrinas.

O que deve fazer se tiver um nódulo da tireoide

Lembre-se que a grande maioria dos nódulos da tireoide são benignos. O nódulo deve ser avaliado por um médico que esteja confortável com este tipo de problema. Endocrinologistas e cirurgiões endócrinos lidam com estes problemas numa base regular, mas muitos médicos de clinica geral, internistas gerais e cirurgiões gerais também são hábeis para lidar com nódulos da tireoide.

Uma das primeiras coisas que um médico deve fazer é questioná-lo a respeito de sua saúde e potenciais problemas de tireoide. Essas questões incluem perguntas como, se você esteve exposto à radiação nuclear ou se recebeu tratamentos de radiação em criança ou na idade adolescente.


Nódulos da tireoide

Os nódulos de tireoide são formações nodulares que aparecem dentro da tireoide. São como pequenos “caroços”, que podem aparecer tanto isolados (1 único nódulo), como múltiplos (vários nódulos). Eles são extremamente comuns em mulheres, com estudos sugerindo que eles podem estar presentes em quase 50% das mulheres com mais de 50 anos.
Os nódulos geralmente são benignos. A maior preocupação quando um nódulo é identificado em qualquer órgão (por exemplo, mama ou pulmão) é o risco deste nódulo ser maligno (ou câncer). No caso da tireoide, a grande maioria dos nódulos, principalmente dos nódulos pequenos, é completamente benigna e pode, inclusive, ser mantida apenas em acompanhamento clínico, sem necessidade de cirurgia. Além disso, o câncer de tireoide é um dos tipos de câncer menos agressivos e que, se diagnosticado precocemente e tratado adequadamente, tem elevadíssimas taxas de cura.

Existem três questões que devem ser esclarecidas sempre que uma pessoa tem nódulos na tireoide:
  1. Será que o meu nódulo é cancro?
  2. Será que o nódulo é tão grande que está a empurrar outro órgão do pescoço?
  3. Será que a minha tireoide está a fabricar hormonas a mais ou a menos?

Os sintomas de nódulos da tireoide

A maioria dos nódulos da tireoide não causam sintomas. Eles são geralmente encontrados pelos pacientes que sentem um nó na sua garganta ou vêm-no no espelho. Ocasionalmente, um membro da família ou um amigo vai notar um caroço estranho no pescoço de alguém com um nódulo de tireoide. Outra forma comum, em que os nódulos da tireoide são encontrados é durante um exame de rotina no consultório médico.
Ocasionalmente, nódulos podem causar dor, e ainda mais raros ainda são aqueles pacientes que se queixam de dificuldade de deglutição, quando um nódulo é grande o suficiente e se encontra posicionado de tal maneira que impede a passagem normal de alimentos através do esófago.
Por vezes, um nódulo de tireoide é encontrado porque o paciente está passando por uma tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultra-sonografia ou do pescoço por algum outro motivo (como a doença da paratireóide, doença da artéria carótida, ou dor na coluna cervical). Nódulos da tireoide são encontrados desta maneira (por acidente). 


Tireoide

A tireoide é uma glândula em forma de borboleta localizada no pescoço e que tem como principal função a produção de hormônios (os chamados T3 e T4). Estes hormônios são essenciais à vida e participam da regulação do funcionamento de diversos outros órgãos do corpo, incluindo o cérebro e o coração.
As doenças mais conhecidas da tireoide são aquelas em que ocorre uma alteração na produção dos hormônios. No caso de uma produção excessiva de hormônios, temos o hipertireoidismo.
No caso de uma diminuição na produção de hormônios, temos o hipotireoidismo. Além destas alterações nos níveis de hormônios, podemos ter também uma alteração na estrutura da glândula, com a formação de nódulos na tireoide.

Como funciona a tireoide

Cada célula do corpo tem receptores para a hormona da tireoide. Esses hormónios são responsáveis pelos aspectos mais básicos da função do corpo, afetando todos os principais sistemas do corpo. Você pode pensar que a tireóide é como a engrenagem central de um motor sofisticado. Se essa engrenagem quebrar, quebra o motor inteiro.
A maior parte das pessoas sabe que os distúrbios da tireoide podem causar ganho de peso, problemas digestivos e fadiga. Mas você sabia que eles também podem causar sintomas como confusão mental, depressão, demência, pele seca, queda de cabelo, intolerância ao frio, voz rouca, menstruação irregular, e até mesmo infertilidade?

Hormônio da tireóide atua diretamente sobre o cérebro, a função do trato gastrointestinal, o sistema cardiovascular, metabolismo ósseo, o metabolismo das células vermelhas do sangue, vesícula biliar e fígado, a produção de hormónios esteróides, o metabolismo da glicose, metabolismo de lipídios e colesterol, o metabolismo de proteínas e a regulação da temperatura corporal.


Como se faz o tratamento do Nódulo da tireoide

O Tratamento do Nódulo da tireoide  irá depender do resultado dos exames.
Mais frequentemente, se o nódulo não é cancro e não é muito grande ser-lhe-á proposto um tratamento médico. Este tratamento consiste num medicamento que irá tentar reduzir as dimensões do nódulo. Embora uma grande parte destes nódulos não mingúem o risco de crescerem ao ponto de precisarem de cirurgia, é reduzido.
Há outros tipos de tratamento que lhe poderão ser propostos tais como iodo radioactivo se a sua tireoide está a trabalhar de mais ou em risco de isso acontecer. Poderá também ser-lhe falado da necessidade de cirurgia ou porque os nódulos são muito grandes provocando compressão noutros órgãos ou porque a citologia não deu a certeza absoluta de se tratar de uma situação benigna.



O que são Nódulos da tireoide

Nódulos da tireoide são "caroços" que aparecem frequentemente no interior da glândula. Pelo menos uma em cada 15 mulheres e um em cada 60 homens em Portugal, tem um nódulo da tireoide que pode ser sentido ou como o seu médico diz pode ser palpado.
Os nódulos da tireoide são grupos de células que crescem anormalmente no interior da tireoide.
Eles podem também ser quistos que são cavidades cheias de líquido ou então inchaços provocados por inflamação da tireoide.
A maior parte dos nódulos da tireoide não são cancro e muito poucos interferem com a saúde de quem os tem.
No entanto, há três pontos que devem ser esclarecidos sempre que uma pessoa tem nódulos na tireoide.
  • Será que o meu nódulo é cancro?
  • Será que o nódulo é tão grande que está a empurrar outro órgão do pescoço?
  • Será que a minha tireoide está a fabricar hormonas a mais ou a menos?
Assim, importa consultar o médico de modo a que este possa promover as diligências necessárias a um diagnóstico definitivo.


Hipotireoidismo materno e fetal

O hipotireoidismo é uma condição na qual a glândula tireoide não produz hormônio tireoideano suficiente. 
Hipotireoidismo materno e fetal pode ocorrer quando o iodo materno é insuficiente ou quando não há ingestão adequada de iodo materno no início da gravidez. Neste caso, o saldo de iodo materno pode tornar-se negativo e nunca pode ser restaurado, mesmo com a eventual suplementação de iodo.
Mães com deficiência de iodo durante a primeira metade da gravidez podem produzir descendentes com graves danos cerebrais irreversíveis. Deficiência da tireoide materna tem sido associada a problemas neonatais de desenvolvimento, que podem causar mudanças duradouras na estrutura do cérebro e função cognitiva. 
Hipotireoidismo não controlado na segunda metade da gravidez, pode causar complicações maternas, tais como anemia, pré-eclâmpsia, aborto espontâneo, parto prematuro, e doença da tireoide pós-parto. Complicação fetal ou neonatal incluem prematuridade, baixo peso ao nascer, anomalias congênitas, má desenvolvimento neuropsicológico e natimorto.
Quando o status de iodo nutricional é adequado, doença auto-imune da tireoide (também chamada de tireoidite de Hashimoto) é o tipo mais comum de hipotireoidismo durante a gravidez. As mulheres grávidas com doença auto-imune da tireoide estão em maior risco de aborto e de doença da tireoide pós-parto (tireoidite incluindo, hipertireoidismo e hipotireoidismo), e existe um risco aumentado de deficiência permanente e significativa na função cognitiva, nos lactentes.

Hipertireoidismo e hipotireoidismo congênito

Hipertireoidismo congênito é raro em recém-nascidos. Hipertireoidismo congênito transitório é provocado por doença de Graves materna. Imunoglobulina, estimuladora da tireoide passa da mãe para o feto através da placenta e causa tireotoxicose no feto e, posteriormente, no recém-nascido. Depois que o bebê nasce, a melhora é rápida se a condição for tratada com medicamentos antitireoidianos e o hipertireoidismo vai diminuir dentro de várias semanas. Hipertireoidismo congênito persistente é uma doença auto-imune não-familiar. Ela é causada por uma mutação genética que resulta num aumento da atividade constitutiva do receptor de TSH.
O hipotireoidismo congênito, devido a deficiência de iodo materno, é a principal causa de retardo mental evitável. Durante o tratamento da hormona da tireoide durante a gravidez, bem como da terapia de iodo materna prolongada (mais do que duas semanas de terapia ou superior a 1000 ug/iodo) pode também causar hipotireoidismo congénito. A condição é agravada pela coexistência de deficiências de selênio e vitamina A, ou deficiência de ferro. O tratamento para o hipotireoidismo neonatal deve ser iniciado o mais cedo possível, já que cada dia de atraso pode resultar em perda de QI. Se não for tratado, logo após o nascimento (nos primeiros 18 dias de vida), o atraso mental resultante vai ser irreversível.

Hipertireoidismo, níveis elevados de hormonas na tireoide

Hipertireoidismo representa uma infinidade de distúrbios da tireoide, caraterizados por níveis elevados de hormonas tireoideias em circulação. A incidência anual de hipertireoidismo é de 3 por 1.000 na população em geral, e a condição é oito vezes mais comum em mulheres do que em homens.
Hipertireoidismo pode resultar de uma sobreatividade generalizada da glândula tireoide ou de fatores que promovam o excesso de atividade da glândula. É importante distinguir entre estas causas, uma vez que o prognóstico e tratamento será diferente. Uma vez que se suspeita que o hipertireoidismo tenha base na apresentação clínica, e confirmado pelo hormônio da tireoide e determinação do nível de TSH, a forma geral de doença pode ser diferenciada por estudos de captação de iodo radioativo. A captação de iodo radioativo normal, ao longo de um período de 24 horas varia de 10 a 35%.
Hipertireoidismo é causado pela produção de níveis elevados de TSH (tumores, resistência pituitária), ou produção de estimuladores da tireoide diferente de TSH (anticorpos, como na doença de Graves, ou bócio multinodular. Hipertireoidismo diferencia-se de outras formas de elevada captação de iodo radioativo. A causa mais comum de hipertireoidismo é a doença de Graves, um processo auto-imune sistêmico, em que o corpo do paciente produz anticorpos contra o receptor de tirotrofina (TSH). Esses auto-anticorpos chamados imunoglobulinas estimulantes da tireóide (TSH [stim] ABS) estão presentes em 95% dos pacientes com doença de Graves e ativam o receptor de tirotrofina (TSH), e estimulam a produção descontrolada e liberação de T4 e T3. 
O hipertireoidismo causado por diferentes fatores que aumentam a produção da glândula tireoide podem resultar de doença inflamatórias da tireoide (tireoidite subaguda, tireoide "indolor"), da presença de tecido ectópico da tireoide (bócio ovarii, carcinoma folicular metastático) ou por fontes exógenas de hormônio da tireoide. Estas formas são diferenciadas de hipertireoidismo pela diminuição de captação de iodo radioativo. É importante notar que pacientes com hipertireoidismo não podem apresentar todos os sintomas associados ao hipertireoidismo, e podem apresentar variados resultados no teste de função da tireoide, dependendo da forma da doença. No entanto, geralmente, resultados de hipertireoidismo mostram aceleração de muitas funções fisiológicas. O coração bate mais rapidamente, e pode desenvolver um ritmo anormal, levando a uma tomada de consciência dos batimentos cardíacos (palpitações). A pressão arterial tende a aumentar. Muitas pessoas com hipertireoidismo sentem-se quentes, mesmo numa sala fria. Sua pele pode ficar húmida, já que tendem a suar profusamente. Frequentemente, existem também mudanças nas unhas. Pacientes com hipertireoidismo podem desenvolver tremor nas mãos, e geralmente têm bons reflexos profundos. Muitas pessoas sentem nervosismo, cansaço, e fraqueza, e ainda têm um aumento do nível de atividade. Pacientes com hipertireoidismo podem ter um aumento do apetite, mas perdem peso devido ao aumento das ações metabólicas do hormônio da tireoide. A maior parte dos pacientes que apresentam hipertireoidismo têm evacuações frequentes, ocasionalmente com diarreia, e mau dormir.

As pessoas mais velhas que têm hipertireoidismo podem não desenvolver estes sintomas característicos, mas têm o que às vezes é chamado de "apatia" ou hipertireoidismo "mascarado". Eles simplesmente tornam-se fracos, sonolentos, confusos, retirados, e deprimidos, sintomas frequentemente associados com o envelhecimento. No entanto, problemas cardíacos, especialmente ritmos cardíacos anormais, são vistos com mais frequência em pessoas idosas com hipertireoidismo. 
O hipertireoidismo pode causar alterações nos olhos, incluindo inchaço ao redor dos olhos, aumento da formação da lágrima, irritação e sensibilidade incomum à luz. Estes sintomas oculares desaparecem logo após o controle da secreção do hormônio da tireoide, exceto em pessoas com doença de Graves, a qual provoca problemas oculares únicos. O hipertireoidismo é frequentemente associado com um bócio ou nódulos da tireoide.

Conheça as doenças da tireoide

Mais de 13 milhões de americanos são afetados por doenças da tireoide, e mais da metade deles permanecem sem diagnóstico. A Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos (AACE) iniciou uma campanha para aumentar a conscientização do público sobre doenças da tireoide e educar os americanos sobre os períodos críticos, desde o nascimento até à idade avançada, quando as pessoas estão em maior risco de desenvolver um distúrbio da tireoide. O diagnóstico de doença da tireoide pode ser particularmente difícil. Os pacientes muitas vezes apresentam manifestações clínicas vagas, gerais, em particular os idosos podem não associar os sinais e sintomas com um processo de doença, e portanto, não recorrem à atenção do seu prestador de cuidados primários de saúde.
A prevalência e a incidência de distúrbios da tireoide é influenciada principalmente por sexo e idade. 
Distúrbios da tireoide são mais comuns em mulheres do que homens, e em adultos mais velhos em comparação com os grupos etários mais jovens. A prevalência de hipertireoidismo e hipotireoidismo evidente, são ambos estimados em 0,6% ou menos, em mulheres, com base em vários estudos epidemiológicos. A idade também é um fator; para o hipertireoidismo evidente, sendo taxa de prevalência de 1,4% para as mulheres com 60 anos ou mais e 0,45% para as mulheres com idade entre 40 a 60 anos. Para os homens com mais de 60 anos de idade, a taxa de prevalência de hipertireoidismo é estimada em 0,13%. Um padrão similar é observado para a taxa de prevalência do hipotireoidismo. A taxa de prevalência do hipotireoidismo é de 2% para as mulheres com idade entre 70 a 80 anos, de 1,4% para todas as mulheres com 60 anos ou mais, e 0,5% para mulheres com idade entre 40 e 60 anos. Em comparação, a taxa de prevalência do hipotireoidismo é de 0,8% para os homens com 60 anos ou mais. A incidência anual estimada de hipertireoidismo para as mulheres varia de 0,36 a 0,47 por 1.000 mulheres, e para os homens varia de 0,087 a 0,101 por 1.000 homens. Em termos de hipotireoidismo, a incidência estimada é de 2,4 por mil mulheres a cada ano. Evidente disfunção da tireoide é rara em mulheres com menos de 40 anos de idade e em homens com menos de 60 anos de idade.

Tireoidite de Reidel

A Tireoidite de Reidel geralmente se apresenta na meia-idade, mulheres com um nódulo indolor, firme e função tireoidiana normal. A doença é caracterizada por fibrose extensa e fixação da tireóide a estruturas adjacentes que podem causar compressão da traqueia/esôfago ou ambos. A fibrose pode até mesmo estar presente em outras áreas do corpo, tais como: retroperitoneal e colangite esclerosante. Como se trata de um nódulo, a primeira recomendação seria realizar um PAAF, no entanto, a fibrose extensa, muitas vezes impede uma leitura apropriada do exame. Portanto, a recomendação é em um paciente com sintomas de compressão, realizar a tireoidectomia ou pelo menos retirada do istmo para separar os lóbulos e libertar a pressão.

Fisiologia da tireoide

A glândula tireoide funciona de forma semelhante ao restante das glândulas endócrinas. Funciona através do eixo hipotalâmico-hipofisário-tireoidiano, através do conceito de feedback negativo. A principal função da glândula é a produção de hormônios , T3 e T4. A produção destes hormônios é feita após estimulação das células pelo hormônio TSH liberado pela hipófise. A tireoide é a única glândula endócrina que armazena o seu produto de excreção.
O TSH determina a taxa de secreção de T3 e T4 e estimula o crescimento e divisão das células foliculares. O hipotálamo libera TRH (hormônio liberador de tireotropina), que faz com que libere na região anterior da hipófise o TSH (hormônio estimulador da tireoide). Por sua vez, faz com que o TSH liberte a tiroxina pela tireoide, T4 e T3. Perifericamente, T4 é convertido em T3, que é mais ativo.
A regulação na secreção de T3 e T4 é realizada tanto pelo estresse quanto pelo frio fazendo aumentar a taxa do metabolismo basal.

A tireoide

A tireoide é a maior glândula endócrina do corpo, sendo responsável pela produção dos hormônios tireoideanos (T3 e T4), envolvidos com diversos componentes da homeostase (função cerebral, cardiovascular, intestinal, metabolismo celular, produção de calor, etc). A palavra tireoide vem do grego sendo a junção dos termos thyreós (escudo) e oidés (forma de). A descoberta da tireoide ocorreu em 1656, por Thomas Warton que realizava uma pesquisa sobre glândulas. Na época, ele acreditava que a função da tireoide era apenas estética, servindo simplesmente para modelar o pescoço. Somente no século XIX, foi possível confirmar sua importância.
A glândula tireoide é derivada a partir de duas linhas de células predominantes (endoderme e das células da crista neural). A endoderme começa na região da cabeça e migra para o local da tireoide. Essas células proliferam e se tornam células foliculares. As células da crista neural combinam com as bolsas do 4ª e 5º arcos branquiais e formam as células C parafoliculares e as paratireóides.

Tireoidite aguda infecciosa

A infecção da tireoide é rara. Diversos factores poderão contribuir para a protecção da glândula tireoideia contra a infecção; destaca-se a rica vascularização e a boa drenagem linfática, o conteúdo elevado de iodo (com possível efeito bactericida) e a separação física clara das outras estruturas adjacentes. A infecção é facilitada quando há uma doença subjacente da glândula ou quando há uma intervenção cirúrgica da tireoide ou dos órgãos vizinhos. A infecção das diversas estruturas cervicais pode atingir por continuidade a glândula tireoideia. De referir ainda a possibilidade de a infecção da tireoide ser provocada por via sanguínea e a partir de focos de infecção localizados em locais distantes, tais como a pele, as vias respiratórias, o aparelho génito-urinário ou o tubo digestivo. As tireoidites infecciosas podem ser provocadas por diversos tipos de agentes: bactérias, fungos, parasitas ou vírus. As tireoidites bacterianas são as mais frequentes. Na tireoidite bacteriana aguda supurativa os sinais e sintomas mais frequentes são para além da dor, rubor, calor e inchaço locais, a febre, a dor ao engolir e a rouquidão. Em geral não existe mau funcionamento da tireoide (hipotireoidismo ou hipertireoidismo) neste tipo de tireoidites. A distinção entre a tireoidite infecciosa (nomeadamente a forma bacteriana aguda) e outras formas de tireoidite e com processos inflamatórios de estruturas adjacentes pode ser difícil. O tratamento da tireoidite bacteriana, uma doença potencialmente grave, deverá ser o mais precoce possível e inclui a utilização de antibióticos cuja escolha deve ser guiada pelos resultados do exame bacteriológico do material das lesões. Nos casos em que há formação de um abcesso, poderá ser necessária uma drenagem cirúrgica.

Tratamento do Hipotireoidismo

O tratamento do hipotireoidismo, em geral, é necessário por toda a vida, a menos que seja transitório, como após uma tireoidite subaguda, ou reversível, induzido pelo uso de uma medicação que possa ser descontinuada.
Consiste na administração de levotiroxina sintética via oral, preferencialmente em jejum, pois a administração concomitante à alimentação pode diminuir em até 40% a sua absorção. Em situações habituais, aproximadamente 80% da dose ingerida é absorvida no intestino proximal e, devido à sua longa meia-vida de sete dias, a administração única diária resulta em concentrações constantes e estáveis de T3 e T4.
A dose deve ser estimada em cerca de 1,6 µg/kg de peso (podendo variar de 0,8 µg/kg a 2,0 µg/kg), geralmente sendo necessária uma dose mais elevada nos pacientes com câncer de tireoide tireoidectomizados e com hipotireoidismo central. Os valores de T4L se normalizam antes do TSH.
O TSH sérico é o melhor parâmetro para monitorar o tratamento do hipotireoidismo.
Deve ser reavaliado após três a seis semanas a fim de se ajustar a dose até a obtenção de concentrações normais do TSH, salvo nas situações específicas que serão discutidas posteriormente.
A partir daí, deve ser monitorado anualmente. O TSH acima dos valores normais indica a necessidade do aumento da dose de levotiroxina e o TSH suprimido indica a necessidade de diminuição da dose. O monitoramento do hipotireoidismo central, no entanto, deve ser feito através da dosagem do T4L e não do TSH.
Existem várias apresentações comerciais da levotiroxina no Brasil, de 25 µg a 200 µg, o que permite facilidade no controle preciso da dose necessária. O paciente deve ser orientado a manter a mesma marca de levotiroxina, devido à possibilidade de pequenas variações entre os fabricantes.
Pode-se iniciar a reposição de levotiroxina na dose plena nos pacientes mais jovens, porém pacientes idosos devem iniciar com doses menores.1 Após a introdução do tratamento, os pacientes já começam a notar melhora nos sintomas a partir da segunda semana, mas a recuperação completa pode levar meses no hipotireoidismo grave. O tratamento adequado reverte todos os sintomas do hipotireoidismo, exceto em casos de hipotireoidismo por tempo prolongado ou de demora no tratamento do hipotireoidismo congênito, que pode acarretar danos irreversíveis ao sistema nervoso central.
Doses acima do normal podem induzir hipertireoidismo subclínico (T4L normal e TSH diminuído) ou mesmo hipertireoidismo clínico. O principal risco nessa situação é a fibrilação atrial, que ocorre três vezes mais frequentemente em pacientes idosos com valores suprimidos do TSH do que em controles eutireoidianos.
Pacientes com hipertireoidismo subclínico, especialmente mulheres na pós-menopausa, podem ter uma aceleração na perda de massa óssea.

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo é uma situação que resulta de uma produção insuficiente ou mesmo nula de hormonas tireoideias pela tiróide.
O hipotireoidismo muito grave denomina-se mixedema.
Na tireoidite de Hashimoto, a causa mais frequente de hipotireoidismo, a glândula tireoide aumenta e o hipotireoidismo aparece anos mais tarde, devido à destruição gradual das zonas funcionais da glândula. A segunda causa mais frequente de hipotireoidismo é o tratamento do hipertireoidismo. O hipotireoidismo costuma verificar-se quer seja pelo tratamento com iodo radioativo, quer pela cirurgia.
A causa mais frequente de hipotireoidismo em muitos países em vias de desenvolvimento é a carência crônica de iodo na dieta, que produzirá um aumento do tamanho da glândula, reduzindo o seu rendimento. Contudo, esta forma de hipotireoidismo desapareceu em muitos países, desde que os fabricantes de sal começaram a juntar iodo ao sal de mesa e desde que se utilizam desinfetantes com iodo para esterilizar os úberes das vacas. Outras causas, mais raras, de hipotireoidismo incluem algumas afecções herdadas, em que uma anomalia enzimática nas células da tireoide impede que a glândula produza ou segregue quantidade suficiente de hormônios tireoideanos. Outras perturbações pouco frequentes são aquelas em que o hipotálamo ou a hipófise não produzem hormônios na quantidade suficiente para estimular o funcionamento normal da tireoide.

Tratamento do Hipertireoidismo

Embora seja uma doença que tem várias opções de tratamento, o hipertireoidismo pode trazer algumas consequências bem graves se não tratado adequadamente. As consequências mais temidas são:
  • Arritmias cardíacas (podendo levar até à morte).
  • Osteoporose.
  • Alterações na visão, podendo levar até à cegueira.
Em casos onde a produção de hormônios da tireoide é absurdamente excessiva, podemos ter um quadro chamado de “Tempestade Tireoidiana”, onde o paciente pode chegar ao coma e até à morte.

O hipertireoidismo possui vários tratamentos diferentes, cada um indicado para cada paciente:
  • Medicamentos antitireoidianos – já existem medicamentos que diminuem a produção de T3 e T4 pela tireoide e que melhoram todos os sinais e sintomas do hipertireoidismo, podendo inclusive levar à cura.
  • Iodo radioativo – é uma terapia segura, amplamente utilizada na Europa e nos EUA, sendo indicada principalmente para pacientes que não responderam bem aos medicamentos antitireoidianos.
  • Cirurgia – em casos específicos, a cirurgia pode ser necessária para controle do hipertireoidismo.
Lembre-se que o hipertireoidismo tem várias causas e vários tratamentos. Em caso de sintomas da doença, procure um endocrinologista para discutir com ele as causas de suas queixas e quais são as alternativas de tratamento no seu caso.
Não utilize qualquer tratamento sem a orientação e supervisão de um médico.

Hipertireoidismo

O hipertireoidismo é uma síndrome clínica que resulta do aumenta da função da glândula tireoide acarretando a tireotoxicose, quadro clínico caracterizado pela exposição dos tecidos a uma quantidade excessiva de hormônios tireoidianos, mas que nem sempre se origina da hiperfunção tireoidiana. A elevação dos níveis circulantes desses hormônios é responsável por diversos efeitos deletérios em múltiplos órgãos, principalmente no sistema cardiovascular e ósseo. Seu excesso causa aumento da freqüência cardíaca, da pressão arterial sistólica e da massa e contração ventricular esquerda. A tireotoxicose pode levar ao desenvolvimento de complicações graves como insuficiência cardíaca congestiva, cardiomiopatia e arritmias, principalmente fibrilação atrial (10-30%). O hipertireoidismo também está associado ao aumento da reabsorção óssea, e elevação da excreção de cálcio e fósforo na urina e fezes, com conseqüente diminuição na densidade mineral óssea e risco de fraturas em mulheres idosas. Estudos de base populacional demonstram que pacientes com hipertireoidismo apresentaram maior risco de mortalidade devido a doenças cérebrovasculares, cardiovasculares e fraturas do colo do fêmur. A tireotoxicose é também causa de transtornos neuropsíquicos importantes, como agitação psicomotora, transtorno de ansiedade e instabilidade de humor.
A prevalência do hipertireoidismo é estimada em 0,5 a 2% na população em geral, sendo mais comum em mulheres.

Diagnóstico do Hipotireoidismo

Os sintomas clínicos do hipotireoidismo são geralmente inespecíficos, como fadiga, cansaço, queda de  abelos, constipação intestinal, diminuição de memória, alteração de peso, intolerância ao frio e irregularidade menstrual, entre outros. Sinais sugestivos incluem bradicardia, pele ressecada, unhas quebradiças edema não-compressível (mixedema), hiporreflexia, rouquidão, bócio. Dessa forma, a presença de vários desses sinais e sintomas deve levantar a suspeita do hipotireoidismo, cujo diagnóstico deve ser confirmado com a dosagem sérica do T4 livre (T4L) diminuída e do TSH elevada.
Em alguns pacientes, o TSH pode estar ligeiramente elevado, enquanto o T4L ainda se encontra normal, condição que caracteriza o hipotireoidismo subclínico.
Algumas situações merecem especial atenção ao se analisar o resultado do TSH na avaliação do hipotireoidismo:
  1. Quando existe doença hipofisária ou hipotalâmica — nesses casos, o TSH pode não se elevar;
  2. Em pacientes hospitalizados com doença sistêmica grave, já que vários fatores podem interferir na dosagem do TSH;
  3. Em pacientes recebendo drogas que afetem a secreção do TSH, principalmente dopamina, glicocorticóides, fenitoína e análogos da somatostatina, entre outras.
A fim de se evitar tais situações de interferências e/ou erros laboratoriais e situações de hipotireoidismo transitório, como tireoidite subaguda ou outras tireoidites, recomenda-se repetir a dosagem do TSH, juntamente com a do T4L após dois meses e assim decidir pela necessidade ou não do tratamento.

Sintomas do Hipotireoidismo

A insuficiência da tireoide provoca uma decadência geral das funções do organismo.
Em acentuado contraste com o hipertireoidismo, os sintomas do hipotireoidismo são subtis e graduais e podem ser confundidos com uma depressão. As expressões faciais são toscas, a voz é rouca e a dicção lenta; as pálpebras estão caídas, os olhos e a cara tornam-se inchados e salientes.
Muitos doentes com hipotireoidismo aumentam de peso, têm prisão de ventre e são incapazes de tolerar o frio.
O cabelo torna-se ralo, áspero e seco, e a pele torna-se áspera, grossa, seca e escamosa.
Em muitos casos desenvolve-se a síndroma do canal cárpico, que provoca formigueiro ou dor nas mãos.
O pulso torna-se mais lento, as palmas das mãos e as plantas dos pés aparecem um pouco alaranjadas  (carotenemia) e a parte lateral das sobrancelhas solta-se lentamente. Algumas pessoas, sobretudo os adultos, ficam esquecidas e parecem confusas ou dementes, sinais que facilmente se podem confundir com a doença de Alzheimer ou outras formas de demência.
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